Cinema

A nova animação da Liga da Justiça não foi feita para crianças

Liga da Justiça Deuses e Monstros

Nove anos após o fim da série animada Liga da Justiça Sem Limites, que chegou a ser exibida no Cartoon Network e no SBT no Brasil, o produtor, roteirista e desenhista Bruce Timm, responsável também por Batman: The Animated Series e pelo desenho animado do Superman, traz seu característico traço de volta aos super-heróis da DC Comics em Liga da Justiça: Deuses e Monstros. O filme coloca os principais heróis da editora em um universo alternativo cheio de violência e temas adultos, em uma animação que deve passar longe dos olhos das crianças.

Deuses e Monstros foi lançado esta semana no Brasil diretamente em DVD e Blu-ray pelo selo de animações da Warner, responsável por adaptações de quadrinhos como Superman/Batman: Inimigos Públicos e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Nesta realidade paralela, Superman, Batman e Mulher-Maravilha formam uma equipe de anti-heróis sem respeito por leis, governos ou normas éticas, combatendo o crime sob o lema de que “os fins justificam os meios”.

Em Deuses e Monstros, o Superman é filho do General Zod e foi criado na Terra por um casal de imigrantes mexicanos ilegais nos Estados Unidos. Já o Batman é um jovem cientista que se transformou acidentalmente em um vampiro enquanto testava uma cura para o linfoma. Enquanto isso, a Mulher-Maravilha é uma guerreira de postura feminista – “eu não perteço a homem nenhum!”, ela faz questão de bradar em certo momento – em busca de redenção e vingança no planeta Terra.

No primeiro ato do filme, já fica nítido que esses personagens não seguem as mesmas regras morais com as quais estamos acostumados. Numa sequência de ação cheia de sangue, vemos o Superman queimar terroristas vivos com sua visão de calor; o Batman matar e sugar todo o sangue do corpo de um criminoso; e a Mulher-Maravilha usar sua espada para cruzar o abdômen de seus inimigos. Tudo isso para fazer valer seus próprios ideais de justiça, mesmo que estejam acima da lei.

Entretanto, por mais chocante que toda essa violência possa parecer, Deuses e Monstros não consegue desenvolver a proposta “sombria e adulta” de forma mais aprofundada. Há, sim, diversos comentários ao longo do roteiro sobre “justiça a qualquer custo”, direitos humanos, a política de guerra dos Estados Unidos, machismo, homofobia e desigualdade social. Mas a discussão não vai muito além disso: comentários.

No fim das contas, o filme acaba girando em torno de uma trama de mistério e ação não muito diferente do que já vimos em filmes e séries de super-heróis, onde o clímax invariavelmente se resume a uma grande “batalha final”, com direito a diálogos expositivos e lições de moral clichês.

Batman, Superman e Mulher-Maravilha: a Liga da Justiça sombria de “Deuses e Monstros”

O que realmente chama a atenção em Deuses e Monstros, porém, são as incontáveis referências ao cânone da DC nos quadrinhos. Fãs mais antigos das HQs vão vibrar com as aparições de personagens menos populares, como a Vovó Bondade (serva de Darkseid), Will Magnus (o cientista criador dos Homens Metálicos) e o Dr. Silvana (clássico inimigo do Shazam), entre muitos outros.

A dublagem brasileira é outro ponto alto do filme. Ao trazer de volta Guilherme Briggs e Priscila Amorim como as vozes, respectivamente, de Superman e Mulher-Maravilha, o filme evoca naturalmente as lembranças das clássicas séries animadas de Bruce Timm, tornando os personagens mais facilmente identificáveis entre os brasileiros. Duda Ribeiro, que faz a voz em português do Batman, também não decepciona. Entretanto, a versão original, com Michael C. Hall – ator que esteve próximo de viver o Homem-Morcego em mais de uma ocasião nos cinemas – soa mais adequada à nova roupagem do herói.

Porém, o principal problema do filme é justamente sua proposta inicial, a de questionar os limites entre justiça e fascismo. Um conceito que foi bastante explorado em Watchmen, a clássica história em quadrinhos de Alan Moore que revolucionou os super-heróis na década de 1980. A HQ é nitidamente a principal referência de Deuses e Monstros, de modo que  a semelhança entre as duas tramas é tão grande que chega a ser constrangedora em alguns momentos.

Sem dar spoilers, é possível dizer que a fórmula envolvendo um grande mistério, reviravoltas morais e um vilão “bem-intencionado” é praticamente uma reprodução de Watchmen. Isso dá a entender que, por medo de se arriscar, o roteiro de Alan Burnett preferiu usar como muleta uma estrutura narrativa bem aceita e consolidada entre os fãs.

Alguns personagens subaproveitados, como Lex Luthor e a própria Mulher-Maravilha – cuja postura feminista é muito pouco explorada em relação ao curta-metragem divulgado antes do filme – completam a lista de problemas em Deuses e Monstros. Apesar disso, a animação funciona bem como um laboratório para a experimentação de novos temas e propostas para os personagens. Para os fãs de longa data dos quadrinhos da DC Comics, os 72 minutos do filme não decepcionam.

No canal Machinima, no YouTube, é possível conferir os três episódios em curta-metragem que antecipam Deuses e Monstros, apresentando o Batman, Superman e a Mulher-Maravilha. Assista abaixo ao trailer da animação:

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